| .: Prima Escola Montessori - Ensino Infantil e Ensino Fundamental :. Esta é uma versão otimizada para celulares. ![]() |
| Maria Montessori O que é que o inventor Graham Bell, o filósofo Bertrand Russel, o ator Cary Grant, a atriz Vanessa Redgrave, o cantor Bing Crosby, o comediante Bob Hope, o violoncelista Yo-Yo Ma e a princesa Diana da Grã-Bretanha têm em comum? Todos eles matricularam seus filhos ou netos em escolas inspiradas por Maria Montessori, a corajosa mulher que mostrou por que a liberdade é absolutamente essencial para a criatividade e a independência. Apesar de grandes diferenças políticas, pessoas de todas as grandes culturas e religiões valorizam a forma como as escolas montessorianas libertam as crianças para aprender. Há escolas montessorianas por toda a Europa e as Américas. Elas estão bem estabelecidas na Índia, na China e na Rússia, e estão se expandindo rapidamente no Japão. Há uma escola montessoriana no remoto Camboja; tanto Israel quanto os Emirados Árabes Unidos as têm, e há relatos de que uma está sendo construída na Somália. No total, há escolas montessorianas em cinquenta e dois países. Tais escolas são bem-sucedidas porque alunos e pais as amam. Mais de 90% dos professores montessorianos nos Estados Unidos, por exemplo, estão em escolas particulares, cujas receitas vêm voluntariamente dos pais – e não dos contribuintes. Em contraste, as grandes faculdades de pedagogia americanas fazem tudo o que podem para ignorar Maria Montessori, tratando-a como uma figura histórica de pouca relevância atual. Enormes sindicatos de professores desconfiam da liberdade que há nas salas de aula montessorianas. O movimento montessoriano sempre foi independente. Desafiando os educadores progressistas que moldavam as crianças à sua visão coletivista, Maria Montessori declarou que o objetivo da educação é ajudar os indivíduos a realizar seus destinos. Ela se rebelou contra o ensino regimentado e insistiu que as crianças precisam ter liberdade para crescer. Ela mostrou que crianças aprendem principalmente ensinando a si mesmas, não com professores martelando conhecimento em cabeças passivas. Montessori descobriu que as crianças aprendem praticamente desde o nascimento, e que a educação – do tipo certo – pode começar a oferecer benefícios desde muito mais cedo do que se pensava. “O princípio fundamental,” ela escreveu, “deve ser a liberdade do aluno; liberdade tal que permita o desenvolvimento de manifestações individuais e espontâneas da natureza da criança. Se uma pedagogia nova e científica for emergir do estudo do indivíduo, esse estudo deve se ocupar da observação de crianças livres.” Montessori tinha uma presença formidável quando, em 1906, começou a fazer grandes descobertas sobre como as crianças aprendem. “Aproximando-se dos quarenta anos,” escreveu a biógrafa Rita Kramer, “ela era uma figura algo corpulenta, ainda bonita, mas ganhando peso, ainda confiante, mas um pouco mais circunspecta. Ela entrava na sala de aula usando um vestido escuro simples, mas bonito, com o cabelo escuro amarrado no alto da cabeça, e sorria para as crianças.” Ela tinha um “rosto liso, sem rugas, olhos claros e brilhantes... Porte elegante e serenidade”. Montessori nasceu em 31 de agosto de 1870, em Chiaravalle, Itália, no ano em que os estados italianos se uniram para formar uma nação. Seu pai, Alessandro Montessori, era um funcionário público que administrava as finanças de uma fábrica estatal de tabaco. Sua mãe, Renilde Stoppani, era uma intelectual, filha de um aristocrata proprietário de terras. Quando Maria tinha por volta de cinco anos, Alessandro Montessori foi contratado como contador em Roma e se mudou para lá com a família, para que Maria tivesse acesso a uma educação melhor. Ela foi encorajada a escolher o magistério, uma das poucas profissões então abertas às mulheres. A teimosa Maria, no entanto, pensou em uma série de profissões fechadas às mulheres: primeiro engenharia, depois biologia e medicina. Em 1886, ela se tornou a primeira médica da Itália, mas foi proibida de exercer a profissão porque era inconcebível uma mulher examinar o corpo de um homem. Então aceitou uma posição de médica assistente da Clínica Psiquiátrica da Universidade de Roma. Ali ela teve a oportunidade de observar “defeituosos” – crianças com deficiências mentais, dificuldades de aprendizado, ou de comportamento difícil por outras razões. Essas crianças eram mantidas em quartos lotados, sem brinquedos e sem muito o que fazer. Observando-as, Montessori se convenceu de que suas vidas poderiam melhorar se elas recebessem melhores cuidados. Procurando ideias, descobriu as obras de Jean Itard e Edouard Seguin, médicos franceses que haviam dedicado suas vidas à busca de melhores maneiras de educar essas crianças. Em 1899, ela fez uma palestra sobre o assunto em uma conferência de professores e causou comoção. Foi convidada para dar aulas na Universidade de Roma e dirigir uma nova escola para crianças “defeituosas”. Por dois anos, de 1899 a 1901, Montessori buscou incessantemente técnicas de ensino que pudessem ajudar as crianças excepcionais. Visitou instituições para tais crianças em Londres e Paris. Incrivelmente, seus alunos aprendiam a ler e escrever tão bem quanto as crianças comuns. Então veio a grande agonia e alegria de sua vida, que a levaria a uma nova carreira ajudando crianças por todo o mundo. Na escola, ela trabalhava com um certo Dr. Giuseppe Montesano. Os dois tiveram um relacionamento e ela deu à luz um filho, Mario. Montesano não concordou em casar-se com ela, e logo casou-se com outra mulher. A mãe de Montessori teve pavor de que o escândalo destruísse a carreira da filha. Mario foi viver com primos, no campo, perto de Roma, e o acontecimento foi abafado. A biógrafa Kramer concluiu que a gravidez e o fim do relacionamento com Montesano devem ter acontecido em 1901, quando Maria repentinamente demitiu-se da escola e desapareceu por aproximadamente um ano, abandonando seu trabalho bem-sucedido. Imagine a angústia desta mulher pressionada a abrir mão do próprio filho, impossibilitada de dividir com ele suas extraordinárias descobertas que ajudariam os filhos de outras pessoas no mundo inteiro. Por quase quinze anos, ela visitou o filho periodicamente, sem se identificar. Ele a via como uma “bela senhora” misteriosa. Apenas após a morte da mãe de Maria, em 1912, Mario foi viver com ela. Durante este período, Montessori transformou sua tristeza em um novo objetivo para sua vida: melhorar a educação das crianças comuns. Matriculou-se como aluna na Universidade de Roma e estudou tudo que pudesse ajudá-la a entender melhor como as crianças aprendem – cursos de psicologia, antropologia, higiene e pedagogia. Visitou escolas primárias, observando as ações dos professores e as reações dos alunos. As escolas haviam adotado o método ao estilo militar promovido na Prússia, nos Estados Unidos, e em outros lugares: grandes números de alunos sentados em fileiras diante de um professor que ensinava todos ao mesmo tempo. Ela instintivamente rejeitou o ensino regimentado, a passividade dos alunos, e o sistema de recompensas e punições. Suas ideias, expressas em um artigo de revista, atraíram a atenção de Eduardo Talamo, um executivo de uma imobiliária, o Istituto Romani dei Beni Stabili. Dois dos novos prédios de apartamentos da empresa, no bairro pobre e violento de San Lorenzo, em Roma, estavam sendo depredados pelos filhos dos moradores enquanto os pais estavam trabalhando. Talamo concluiu que seria do interesse da empresa fundar uma escola em cada prédio, para que as crianças tivessem coisas construtivas para fazer, com supervisão adequada. Ele pediu conselhos a Montessori. Ela se ofereceu para assumir o projeto pessoalmente, apesar das objeções de amigos que achavam degradante uma médica dar aulas para crianças. Em vez das carteiras escolares convencionais, Montessori adquiriu cadeiras e mesas de tamanho apropriado para entre cinquenta e sessenta e três crianças de seis anos. Ela também levou para a escola os materiais autocorretivos que havia criado para as crianças “defeituosas”, para ajudar os alunos a aprender a classificar e encaixar coisas, entre outras habilidades essenciais para a independência. Conforme suas observações sugeriam que outros materiais eram necessários, seu repertório se expandia. Ela descobriu que crianças aprendiam conceitos abstratos mais rapidamente quando os materiais envolviam vários sentidos – tato, além da visão e da audição. Conhecida como Casa dei Bambini (“Casa das Crianças”), a escola abriu em 6 de janeiro de 1907. Os alunos não pareciam promissores: tristes, retraídos e rebeldes. No entanto Montessori aprendeu coisas surpreendentes ao trabalhar com eles: descobriu que as crianças têm um desejo forte e inato de aprender e conquistar autonomia, que aprendem espontaneamente quando têm liberdade suficiente, que se concentram profundamente em tarefas que elas mesmas escolhem , que preferem explorar coisas reais – o mundo dos adultos – aos brinquedos convencionais, e que se desenvolvem ao máximo em uma atmosfera de dignidade, respeito e liberdade. A ordem na sala de aula era mantida sem recompensas ou punições quando as crianças estavam alegremente interessadas. Montessori dava às crianças uma liberdade considerável, mas isso não queria dizer que elas podiam fazer qualquer coisa que quisessem. Ela insistia em fazer com que as crianças tivessem comportamento adequado e tratassem os outros com respeito. “A primeira coisa que a criança deve aprender,” escreveu ela, “é a diferença entre bem e mal; e a tarefa do educador é fazer com que as crianças não confundam bem com imobilidade e mal com atividade, como acontece frequentemente no caso da disciplina antiquada. Isso porque nosso objetivo é disciplinar para a atividade, para o trabalho, para o bem, não para a imobilidade, não para a passividade, não para a obediência... Uma sala em que todas as crianças se movem de forma útil, inteligente e voluntária, sem cometer nenhum ato violento ou rude, me pareceria uma sala de aula muito bem disciplinada.” Montessori observou que aprendiam melhor quando a professora (que ela chamava de “orientadora”) mostrava como fazer alguma coisa e depois estimulava a descoberta livre. Para ajudar a criança a desenvolver a auto-confiança e se tornar mais independente, Montessori enfatizava habilidades práticas: higiene pessoal, guardar os materiais no lugar certo, limpar a sala de aula, preparar refeições, cuidar de plantas e animais de estimação. Como a maioria das pessoas, Montessori acreditava que as crianças não estariam preparadas para aprender a ler e escrever até os seis anos de idade, mas seus alunos pediram para ser ensinados, então ela e sua assistente fizeram conjuntos de letras cursivas com marcações para que as crianças soubessem que lado ficava para cima. Montessori elaborou exercícios para ajudar os alunos a aprender as formas e sons das letras. Em dois meses, ela presenciou uma explosão de escrita. No Natal, quando as crianças das escolas do governo ainda lutavam com as letras, dois alunos de Montessori – de quatro anos – escreveram mensagens de Natal para Edouardo Talamo, proprietário do prédio. Montessori fez um relatório triunfante: “Foram escritas em papel de carta, sem rasura e sem apagar, e a caligrafia foi julgada equivalente à obtida na terceira série do ensino primário.” Contrariando as doutrinas predominantes, Montessori descobriu que crianças aprendiam a ler melhor depois de aprender a escrever, então preparou cartões para rotular objetos de uso cotidiano e mostrou como combinar os sons; os alunos já conheciam os sons individuais de cada letra. Dias depois, já estavam lendo placas nas ruas e em lojas, rótulos de embalagem, e praticamente tudo à sua volta, assim como livros. Montessori começou a treinar professores, abrir mais escolas, e escrever livros. Seu primeiro livro, Il Metodo della Pedagogia Scientifica applicato all’educazione infantile nelle Case dei Babini [“O Método da Pedagogia Científica aplicado à educação infantil na Casa das Crianças”', foi lançado em inglês em 1912 com o título The Montessori Method [“O Método Montessori”' e virou best-seller nos Estados Unidos. Ela não era uma filósofa abstrata como seu contemporâneo John Dewey. Ela propôs um método específico para ajudar crianças a aprenderem e se tornarem independentes. Seu livro foi traduzido para o chinês, o dinamarquês, o holandês, o francês, o alemão, o japonês, o polonês, o romeno, o russo e o espanhol. Montessori virou sensação. Professores aspirantes viajavam milhares de quilômetros para serem treinados por ela. Em dezembro de 1913 ela visitou os Estados Unidos, onde conheceu o inventor do telefone, Alexander Graham Bell, o gênio da eletricidade Thomas Edison, a ativista social Jane Addams, e Helen Keller, que, apesar de cega e surda, havia se tornado uma mulher notavelmente culta. Durante as quatro décadas seguintes, Montessori viajou por toda a Europa e a Ásia; apenas na Índia ela treinou mais de mil professores. Escolas Montessorianas foram estabelecidas por todo o mundo, mas sua influência diminuiu após uma onda inicial de publicidade sobre a Casa dei Bambini. Preocupada com a supersimplificação de seu trabalho, Montessori insistia em ter controle total sobre o treinamento de professores e sobre os materiais montessorianos, e isso afastou muitos dos que a apoiavam. Ela sofreu forte oposição de acadêmicos, especialmente nos Estados Unidos. Seu adversário mais influente foi William Hurd Kilpatrick, seguidor de John Dewey e professor do prestigiado Teachers College da Columbia University. Montessori certamente sofreu rejeição por ser mulher em uma época em que administradores de escolas e professores de pedagogia eram predominantemente homens; ela era católica, o que deixava muitos americanos desconfiados; sua formação acadêmica era em medicina, e não pedagogia; e ela era italiana. Os americanos estavam desiludidos com a intervenção do presidente Woodrow Wilson na Primeira Guerra Mundial, que não cumpriu a promessa de “tornar o mundo seguro para a democracia”, e se voltaram para si mesmos, afastando-se da Itália e de tudo que fosse europeu. Maria e Mario Montessori, com a família dele, deixaram a Itália em 1936, quando o ditador fascista Benito Mussolini submeteu todas as escolas ao controle do governo. Instalaram-se em Amsterdã, passaram a Segunda Guerra Mundial na Índia, e depois voltaram a Amsterdã, sempre promovendo as ideias montessorianas. A mais famosa aluna de uma escola montessoriana de Amsterdã foi uma menina judia chamada Anne Frank, cujo comovente diário foi publicado após sua morte no campo de concentração nazista de Bergen-Belsen. Enquanto conversava com amigos em Noordwijk aan Zee, uma pequena cidade à beira do Mar do Norte próxima da Haia, com Mario a seu lado, Maria Montessori sofreu uma hemorragia cerebral e morreu, em 6 de maio de 1952. Tinha quase oitenta e dois anos. Ela considerava qualquer lugar onde estivesse o seu lugar, por isso foi enterrada no cemitério de uma igreja católica em Noordwijk. Quando os obituários foram divulgados, poucos americanos tinham ideia de quem ela era. No entanto, alguns indivíduos de iniciativa rejeitaram a fracassada educação progressista e, voltando a doutrinas esquecidas, redescobriram Montessori. Em Greenwich, no estado americano de Connecticut, uma educadora determinada chamada Nancy McCormick Rambusch não estava satisfeita com as escolas locais e lembrou-se de ter lido sobre os resultados obtidos por Montessori ao dar às crianças liberdade para aprender. Rambusch foi a Londres para receber treinamento no método montessoriano. Amigos começaram a mandar seus filhos para serem educados por ela, e, em 1958, ela abriu a Escola Whitby, que iniciou o renascimento do método montessoriano nos Estados Unidos. Quatro anos depois, na Escola Montessoriana de Santa Monica, na Califórnia, Ruth Dresser, ex-professora de uma escola pública, liderou o retorno do método à costa oeste, atraindo pais famosos como Robert Mitchum, Yul Brynner, Michael Douglas, Cher Bono, e Sarah Vaughan. Hoje existem 155 escolas credenciadas pela Associação Montessori Internazionale (AMI), fundada por Maria Montessori em 1929 para manter os padrões de seu trabalho. Outras oitocentas escolas são credenciadas pela Sociedade Montessori Americana (AMS), fundada por Rambusch em 1960, que aceita algumas adaptações do método à cultura americana. Cerca de três mil outras escolas chamam a si mesmas de “montessorianas”. Em uma grande reviravolta, duzentas escolas públicas estabeleceram programas montessorianos. Em uma escola montessoriana é possível ver como as crianças se desenvolvem quando têm liberdade de movimento. É possível ver a concentração intensa e profunda dos alunos que escolhem livremente suas atividades. Com materiais montessorianos, as crianças aprendem habilidades importantes sozinhas, e ganham independência com o espírito libertador de Maria Montessori. |
| Criado em 25/02/2010. << Voltar Esta é uma versão otimizada para celulares. Acesse o site completo aqui |
![]() |